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  • Alexandrina Dutra

CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE CRISTO REDENTOR

Atualizado: 6 de Jun de 2019

11 de Junho de 1899


Consagração do Género Humano

Jesus nas suas muitas manifestações à Irmã Maria do Divino Coração insistiu com ela que escrevesse ao Papa e fizesse tudo o que dela dependesse para que fosse consagrado o Género Humano, ao seu Coração Santíssimo. Os quereres divinos, sempre reflexos do seu amor louco e apaixonado, têm razões que nós humanos nem sempre percebemos bem. Não se tratava só de consagrar a Igreja, a multidão dos batizados, mas todo o Género Humano. E Jesus prometeu que dessa consagração viriam grandes graças para o mundo, para a humanidade a quem Ele ama e por quem verteu seu sangue Redentor. No dia 11 de Junho fará 120 anos que se realizou, pela voz e vontade do Papa Leão XIII, essa consagração. Tudo porque o Jesus tem um Coração onde habita todo o amor da Trindade, amor uno e trino. Porque no Coração do Redentor está todo o amor divino, porque Ele é verdadeiro Deus e todo o amor humano, porque é verdadeiro homem. Consagrar-se ou consagrar o Género Humano, consagrar a paróquia, a família, a diocese, etc. é um acto de fé e confiança no amor louco e apaixonado de Cristo Salvador. É uma entrega total, livre e consciente, a Ele. E o Senhor se encarregará de nos cumular de seus dons e graças. Ele o disse inúmeras vezes ao longo de séculos. Quem O honra e confia, quem O louva e se consagra, terá graças particulares que brotam de seu Coração, como fonte de amor e de misericórdia.


O mundo desse tempo, por razões várias, tinha o coração doente, tinha a alma doente. A Consagração que Jesus pedia que o Papa fizesse, era remédio, cura, fonte de graça, de santidade, de conversão, de paz, e ordem interior e exterior. Mas o mundo de hoje, onde a vida humana não é respeitada, amada, protegida, onde Deus parece estar fora do coração de milhões de pessoas, onde há tanto mal e pecado, dentro e fora da Igreja, onde abundam actos criminosos de injustiça, de ódio, de violência, de morte, onde há tráfico de pessoas, exploração criminosa, e milhões com fome, milhões em campo de refugiados, milhões de abortos diários, milhões de pessoas sem fé, sem amor, sem Deus, precisa da cura que só o Senhor e o seu amor pode realizar. Consagrar-se a Ele e ao seu Coração, foi o modo divino que Deus escolheu para ir curando o mundo, fazê-lo mais humano, mais livre, mais feliz, mais pacífico, mais harmonioso, com menos mal e menos pecado. Mas parece que muitos, mesmo dentro da Igreja não acreditam nesta realidade, neste desafio do Amor, nesta consagração e suas consequências, como caminho de conversão, de cura, de auxílio divino. Fomos perdendo o amor e a devoção ao Coração de Cristo e mesmo bispos, padres, consagrados, leigos empenhados na pastoral, não acreditam neste apelo que Jesus nos faz, como fez sempre, sobretudo há 120 anos, e que levou Leão XIII a consagrar o Género Humano ao seu Divino Coração. Precisamos de despertar do sono, da apatia, da inércia espiritual, da tibieza e, crescendo na fé no amor de Jesus, sermos desassombrados, apaixonado, confiantes, audaciosos na entrega explícita e na consagração.


A Irmã Maria já tinha sido encarregada por Jesus de comunicar ao Papa os desejos do seu Coração. A 8 de Dezembro de 1898 volta a escrever segunda carta, que só seguirá para Roma a 6 de Janeiro, onde expressa de um modo humilde mas firme o que Jesus lhe disse:


«Santíssimo Padre:

Possuída duma profunda confusão, volto aos pés de Vossa Santidade, para pedir-vos muito humildemente licença de falar outra vez dum assunto a cujo respeito já escrevi a Vossa Santidade em Junho p. passado. Então, mal tendo entrado em convalescença duma enfermidade mortal, minhas forças não me permitiam senão ditar a carta. Agora, embora doente e continuando sempre de cama, já me é possível escrever, ao menos a lápis.

Na minha carta antecedente, confiei a Vossa Santidade algumas graças que N. Senhor, em Sua infinita misericórdia, Se dignou conceder-me, sem olhar para a minha miséria. É com igual confusão que eu hoje confesso a Vossa Santidade que daí em diante o mesmo Senhor tem continuado a tratar-me com a mesma misericórdia. Por ordem expressa de Nosso Senhor, e com consentimento do meu confessor, venho com o mais profundo respeito e completa submissão dar conhecimento a Vossa Santidade de algumas comunicações novas que Nosso Senhor Se dignou fazer-me acerca do assunto tratado na minha carta anterior…

Na véspera da Imaculada Conceição, Nosso Senhor deu-me a conhecer que em virtude deste novo desenvolvimento que havia de tomar o culto do Seu Divino Coração, faria resplandecer uma luz nova no mundo inteiro, e então senti o coração vivamente penetrado por aquelas palavras da terceira Missa do Natal: Quia hodie descenàit Las» magna super terram. Parecia-me ver (Interiormente) esta luz, este sol adorável, o Coração de Jesus, fazer descer os Seus raios sobre a terra, primeiro, mais restritos, depois alargando-se, e por fim iluminando o mundo inteiro. E disse: «Ao brilho desta luz, povos e nações serão esclarecidos, e serão afervorados ao seu calor».

Reconheci os desejos ardentes que Ele tinha de ver o Seu adorável Coração cada vez melhor conhecido e mais glorificado, e de espalhar em todo o mundo as suas bênçãos e liberalidades. Quis Ele escolher a Vossa Santidade, prolongando-lhe a vida, a fim de poder prestar-Lhe esta honra, consolar o Seu Coração ultrajado e atrair sobre a sua própria alma aquelas graças de eleição que fluem daquele Coração Divino, manancial de todos os dons, centro de toda a paz e felicidade…

Poderá parecer estranho que Nosso Senhor queira e peça esta consagração do mundo inteiro e Se não contente com a consagração da Igreja Católica. Mas o Seu desejo de reinar, de ser amado e glorificado e de abrasar todos os corações no Seu amor e manifestar-lhes as Suas misericórdias, é tão ardente, que quer que Vossa Santidade Lhe ofereça os corações de todos os que pelo baptismo já Lhe pertencem, para lhes tornar mais fácil a conversão à verdadeira Igreja; e os corações de todos aqueles que ainda não receberam a vida espiritual nas fontes batismais, por quem Ele, porém, deu a Sua vida e derramou o Seu Sangue, e a quem chamou igualmente a serem um dia filhos da Igreja santa, e lhes apressar assim o nascimento espiritual…

Depois de ter feito com toda a sinceridade e simplicidade a minha exposição a Vossa Santidade, não me resta, Santíssimo Padre, senão pedir-Vos, com a mais profunda humildade, perdão da minha ousadia e suplicar-Vos que Vos digneis aceitar benignamente os protestos da minha filial dedicação e devoção pela Santa Igreja e pela augusta pessoa de Vossa Santidade, a quem me submeto com inteira obediência.

Digna-Vos, Santíssimo Padre, abençoar, juntamente com as nossas Irmãs e protegidas, aquela que, beijando respeitosamente os pés de Vossa Santidade, se honra sobremaneira em proclamar-se

De Vossa Santidade

a mais humilde e obediente filha

Irmã Maria do Divino Coração Droste zu Vischering

Superiora do convento do Bom Pastor do Porto 6 de Janeiro de 1899»



Como resultado desta carta, e durante uma visita que os Pais da Irmã Maria fizeram a Roma, durante a audiência que tiveram com o Papa Leão XIII, em Maio de 1899, este comunicou-lhe, o que ainda era segredo, mas grande desejo de seu coração. A Condessa, como de costume, tomou nota de tudo o que foi dito e feito durante a audiência. E este relatório da audiência, ciosamente guardado nos arquivos da casa Droste, foi alegado, no seu depoimento, pelo Cardeal Clemente Augusto von Galen, bispo de Munster e primo da Irmã Maria (filho dum irmão da condessa mãe). No diálogo falou-se da Irmã Maria e o Papa ficou muito interessado em saber pormenores da sua infância, da sua vida espiritual, da sua vocação, etc. Depois de se informar de muitos pormenores da vida, do temperamento, da piedade, da Irmã Maria, pela palavra dos pais, o Papa a certo momento afirmou-lhes:- Ainda não há nada oficial, mas nos próximos dias uma encíclica anunciará a todos os bispos, sacerdotes e fieis a Consagração do Género Humano ao Sagrado Coração de Jesus! Será soleníssima em todas as catedrais, igrejas e capelas; espero desse acto as maiores bênçãos de Deus para o mundo. Tomei esta decisão em seguida às comunicações da vossa filha.


O Santo Padre continuou com voz solene:

- Anuncio-vos isto de antemão, e quero que lhe escrevais, hoje mesmo ou amanhã, que nos dias 9, 10 e 11 de Junho será celebrado em todo o mundo um Tríduo solene, e que a Consagração será feita dia 11 em todas as catedrais, igrejas e capelas do mundo inteiro. Serão cantadas as Ladainhas do Sagrado Coração, que aprovei para a Liturgia. Durante estes dias, celebrarei a Missa, não na capela privada mas na capela Paulina, na presença dos Cardeais e de toda a Cúria. ESCREVEI-LHE ISTO TUDO, como vo-lo disse, e dizei-lhe que tomei esta decisão em seguida ao que ela me fez conhecer, e que espero as maiores graças para o mundo. Ides escrever-lhe isto tudo? E dizei-lhe também que vos recebi com um acolhimento muito paternal.

Enquanto nós nos ajoelhávamos, o Santo Padre pôs a mão esquerda sobre o ombro de Clemente e a direita sobre o meu, e repetiu:

- Escrevei-lhe, e dizei-lhe que lhe mando uma BÊNÇÃO MUITO PARTICULAR. Vejo-a aqui junto de vós, de joelhos aos meus pés!


Que consolação e que alegria sentiu a Irmã Maria quando recebeu a carta dos pais. Ela morreria pelas 15 hortas da tarde do dia 8 de Junho, véspera da Solenidade do Coração de Jesus. O Papa consagraria o Género humano, no domingo, dia 11, unido a todos os bispos e a toda a Igreja.

Unamo-nos todos a este acontecimento e aos 120 anos da Consagração feita pelo Papa Leão XIII.


Dário Pedroso s. j.

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