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  • Alexandrina Dutra

DEUS É CORAÇÃO...

Atualizado: 28 de Jun de 2019

Mais que um Coração cercado de espinhos ou aberto pela lança do soldado, creio que nos importa, hoje, olhar, contemplar, admirar o Coração de Cristo como o Coração do Amigo, d'Aqueleque nos ama sem limites, que quer estabelecer aliança connosco, que nos quer acolher dentro de Si mesmo, que continua a querer conquistar os nossos corações pela ternura, pelo carinho, pela amizade. Um Coração de Amor, um Deus que é Coração. Um coração repleto de ternura, de graça, de compaixão, de carinho, de doçura, de misericórdia. É deste Coração que o mundo precisa de ouvir falar, é deste Coração que o mundo precisa para que haja a civilização do amor, para que haja mais paz, mais amor à vida, mais verdade, mais justiça, mais harmonia e concórdia. Só o Coração do nosso Deus é a grande solução dos problemas do homem hodierno e do mundo inteiro Só n'Ele a graça, só n'Ele a esperança, só n'Ele a salvação, só n'Ele a paz.

Em cada pagina do Evangelho, em cada cena ou em cada milagre, em cada discurso ou em cada oração, encontramos o Coração de Cristo, Deus e Homem verdadeiro, em contínua atitude de amor, em sentimentos e gestos de amor, quando Se reveste de misericórdia com os pecadores, quando acaricia as crianças, quando chora pela morte de Lázaro, quando Se alegra pela conversão de Zaqueu, quando quer conquistar o coração de Pedro que o negou... É o seu Coração amigo que o leva a chorar sobre a cidade de Jerusalém, que tem compaixão da multidão faminta, que Se comove com a viúva de Nairn que leva a sepultar o seu filho único, que cura leprosos, cegos e paralíticos, que liberta a Madalena de ser apedrejada porque apanhada em adultério, que sofre a dor da traição de Judas... O Evangelho é contínua revelação do Coração de Deus, do nosso Salvador e Redentor. Deus é Coração, Deus tem Coração, Deus não é senão um Coração que ama infinitamente, que nos amou até dar a vida por nós. Contemplar o Evangelho é descobrir sem cessar as ternuras, as riquezas, as maravilhas deste Divino Coração.

Não é verdade que nós próprios, para falar do amor, da amizade, usamos a palavra coração e dizemos «amo-te de todo o meu coração»? Não é verdade que por todos os lados encontramos o coração como símbolo do amor, não só nos livros, nas canções, nos poemas, mas mesmo gravado nas cascas das árvores ou nos bancos dos nossos jardins? Quem ama entende a linguagem do coração porque a usa e pensa nela quase todos os dias. E cada um de nós sente bem quando o seu coração é bom, um coração de ouro, quando ama, quando dá e se dá, quando tem misericórdia e compaixão. E entende que o seu coração é mau, e coração de pedra, quando é duro, intolerante, critico, pouco acolhedor, sem sentimentos de piedade. Afinal, a santidade corresponde a ter um coração como o do nosso Deus e Senhor e a conversão é a contínua e progressiva mudança de coração. Por isso nos fica sempre Jesus a segredar ao ouvido: «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração»; metendo-vos na minha escola, aprendei com o meu Coração, sede discípulos e imitadores do meu Coração, que tem em Si mesmo todas as virtudes, é oceano infinito de todas as graças, e fornalha ardente de caridade, é o Coração do mundo.

Esse Coração de Deus, esse Deus que é Coração, tem sede do nosso coração, do nosso amor, da nossa presença, da nossa amizade, da nossa oração, da nossa companhia, do nosso tempo... Ele quer conquistar, por dentro, os nossos corações para podermos amá-Lo como merece e, n'Ele, amarmos os outros como Ele os amou. Vive «sequioso» de Se dar a nós, mas precisamos de ser receptivos, de ter um coração pobre e humilde para O acolher. Vive sequioso do nosso amor porque nos quer conduzir às alegria inefáveis da união mística, da posse do divino, da identificação com o Amado. Vive sequioso daqueles e daquelas que não O amam, não O conhecem, não O adoram, não O louvam, não lhe dão graças, não entram em comunhão com Ele. Ele tem uma sede de amor, sede divina que quer ser saciada por nós, connosco. A nós cabe-nos dar-nos, matar a sede do nosso Deus, com a radicalidade da nossa vida mais evangélica, com a generosidade do nosso coração cada vez mais aberto ao seu dom e ao seu amor.

Por isso precisamos de proclamar, oportuna e inoportunamente, a todos e em toda a parte, sem desfalecer, com tenacidade e veemência, que Deus é Coração. Por isso precisamos de dizer aos que sofrem, aos que vivem desesperados, mergulhados na dor e no sofrimento, na amargura e na tristeza, que Deus é Coração. Por isso precisamos de testemunhar com a nossa vida, aos jovens, que gastam a sua vida na droga, no vazio da futilidade, do prazer sem sentido, que Deus é Coração. Por isso precisamos de mostrar com nossos gestos de amor, junto dos idosos, dos que estão sós e abandonados, dos que se sentem desprezados, que Deus é Coração.


Por isso é urgente que as famílias percebam, vivam intensamente, na sua vida e na sua oração, nas suas relações e nos seus problemas, que Deus é Coração. Por isso é necessário que se retome nas paróquias o sentido mais genuíno e bíblico desta devoção, para que todos entendam que Deus é Coração. Por isso precisamos de proclamar, com palavras e obras, as maravilhas do amor, as misericórdias do Senhor, para testemunhar que Deus é Coração... E nós, aos poucos, vamos aprendendo com Ele a ser Coração..


Dario Pedroso, s.j.


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