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  • Alexandrina Dutra

OS PAIS DA BEATA MARIA DO DIVINO CORAÇÃO

Conde Clemente Droste zu Vischering

Conde Clemente Droste zu Vischering

A linhagem dos Droste zu Vischering tinha noutros tempos o nome de Wulfheim.

Em 1271, a família foi investida do Castelo de Vischering, junto de Lüdinghausen, ainda hoje sua propriedade. O chefe de família era o Trinchante-herdeiro-Droste, junto da corte do Príncipe - Bispo de Münster e por conseguinte traz ainda hoje o título de “Erb-Droste” (Herdeiro-Droste). Deste emprego e deste título saíu o nome da actual família.


O “Erb-Droste” Clemente, Conde Droste Zu Vischering, pai da Ir. Maria do Divino Coração, nasceu a 14 de Agosto de 1832 e faleceu a 20 de Agosto de 1923.


O Conde Droste era sobrinho do Bispo Kaspar Max de Münster, que no Concílio Nacional de Paris, em 1811, foi o primeiro Bispo a exigir de Napoleão a libertação do Papa, que se encontrava prisioneiro.

Era também o sobrinho mais novo do célebre Arcebispo de Colónia, Clemente Augusto, o qual trabalhara durante anos como Vigário Geral da Diocese de Münster e depois de elevado a Arcebispo de Colónia defendeu os direitos da Igreja contra a usurpação do “Estado Poderoso” com coragem inquebrantável. Tal posição recebeu pronta resposta de Berlim: O Arcebispo foi detido na sua residência e preso durante 18 meses.

Este acontecimento, que acordou os católicos alemães dum repouso demasiado passivo e que chamou ao campo de batalha o (Görres) Poderoso, deu-se nos anos de infância do pai da Ir. Maria do Divino Coração.


Cerca de oitenta anos mais tarde, ele próprio escreveu as suas profundas apreensões apesar de então ter apenas cinco anos de idade:

“As minhas primeiras recordações remontam ao tempo do acontecimento de Colónia, 1837. Recordo ainda os meus pais profundamente emocionados à chegada do cavaleiro portador desta notícia: meu tio-avô arcebispo Clemente Augusto acabava de ser detido no seu palácio arquiepiscopal por ordem do rei Frederico Guilherme III da Prússia e levado na sua própria carruagem, puxada por quatro cavalos, sob vigilância militar e durante a noite, à fortaleza de Minden.

A detenção foi tão repentina que não foi permitido ao arcebispo levar fosse o que fosse a não ser o breviário.

A impressão deste acontecimento do tio arcebispo detido e levado para uma fortaleza foi muito forte e nunca se apagou em mim. As primeiras notícias vindas de Minden gravaram ainda mais esta impressão, falava-se de frustração de liberdade imposta ao arcebispo.

Desde aquele dia e por muito tempo, este acontecimento era o assunto de maior interesse e da participação mais viva no círculo da família.

Todos nós estávamos horrorizados perante a Luta do Estado contra a Igreja e as discussões versavam sobre as usurpações do poder civil sobre os direitos da Igreja Católica. Isto provocava em nós um profundo entusiasmo pela santa Igreja perseguida, uma dedicação incondicional por ela, assim como a resolução e o desejo de a defender com todas as nossas forças nos seus direitos e sua liberdade “.


Este pensamento, este amor entusiasta pela Igreja, caracterizaram toda a vida do Conde Droste. Quem teve a felicidade de o conhecer, jamais esqueceu o exemplo de um católico ideal.

Como escrevê-lo?

Elegante, duma dignidade calma, era nobre no verdadeiro sentido da palavra.

Aparentemente ter-se-ia podido classificá-lo de fleugmático, como o Padre Meyer o descreveu:

no “DIE Wissenschaft der Heiligen” (Ciência dos Santos), “Ele é clarividente e imparcial, conduz-se somente pela razão. É prudente, previdente, fiel como o ouro e inviolável como o astro do norte, senhor dos seus sentimentos, bom de coração, humor inalterável e palavras comedidas”.

A este equilibrio reune uma força de vontade verdadeiramente Vestphaliana, a tenacidade do homem colérico à afabilidade do homem sanguíneo.

Aquilo que particularmente o caracteriza, é o seu poder cavalheiresco.

A sua esposa podia dizer a seu respeito, após sessenta anos de casados: “Ele nunca foi para mim senão um cavalheiro”.

Seus juízos eram extraordinariamente justos, sempre prudentes, calculados.

Escutava silenciosamente e por longo tempo as discussões e no fim colocava as coisas perfeitamente no seu lugar. Com breves palavras ou uma palavra de ânimo, encerrava a situação difícil, num ambiente de tranquila satisfação.

Como tinha um espírito aberto, possuía um verdadeiro sentido de humor.

Era grande a sua liberalidade: gostava de dar aos pobres, à Igreja, aos conventos e a todas as obras boas, com grande generosidade, porque se sentia como vassalo do Senhor e depositário dos Seus bens para os distribuir.

Por outro lado, infatigável, não era apenas um gerente modelo de toda a sua grande propriedade, mas o seu interesse estendia-se também à vida pública.

Era membro na representação da Câmara, como também da região do Landtage da província para representar os direitos da população tanto no plano material como no religioso.

Tudo isto ele cumpria com um extremoso cuidado.


Desde 1879, na altura em que o Kulturkampf estava exaltado, ele representou a região de Fulda no Reichstag, de que é membro e fiel companheiro de armas do grande Windhorst, porque ele era um dos fundadores do “Partido do Centro”.

A 18 de Março de 1875, o Bispo de Münster, Johann Bernard Brinkmann, foi detido. A notícia desta prisão espalhou-se pela cidade com a maior rapidez. Todos se precipitaram em direcção ao palácio episcopal, à Praça da catedral, para aclamar o pastor muito amado e para protestar contra esta medida revoltante do governo. Chega a carruagem para conduzir o Bispo à prisão de Warendorf. O prisioneiro, rodeado de polícias, sai da casa e sobe para o transporte. Neste momento, o Erb-Droste precipita-se por entre a multidão para viajar com o seu Bispo e fazer-lhe guarda de honra. A polícia tenta impedi-lo, mas os braços do ferrageiro gigante, Dunewald, agarram o conde e colocam-no na viatura em marcha.

Quando o Bispo foi libertado, após seis semanas de prisão, o Conde Droste foi buscá-lo e conduzi-lo à sua residência, com o seu fato de gala, tomando lugar a seu lado, sob aclamações da multidão.

Não admira que pouco depois ele tenha de explicar perante o tribunal, sob pretexto de ter instigado o povo à resistência contra o poder do estado.

Foi destituído do seu posto de honra, por ter visitado o Bispo Martin de Paderborn, prisioneiro na fortaleza de Wesel, e por ter acompanhado o seu cunhado sacerdote, o Conde Bernard de Galen, detido após um sermão.

No ano de 1898, o Comissário permanente das Assembleias Católicas Alemãs, o Principe Karl Zu Löwenstein, retirou-se da vida pública para terminar a sua vida tão rica em méritos, na cela de um convento, com o nome de Pe. Raimundo, O.P.

Fundou-se então o Comité Central das Assembleias dos Católicos Alemães e o Erb-Droste foi o Presidente.

Até idade muito avançada, durante quase vinte anos, ele ocupou este posto de responsabilidade com entusiasmo infatigável, sendo um guia venerado e amado de todos os católicos.

Um dos seus colaboradores mais íntimos, o Prelado Donderst, testemunha: “Como um nobre, no verdadeiro sentido da palavra, dirigiu durante todo este tempo as sessões do Comité com distinção exemplar. Teve uma influência sempre conciliadora, sem nunca porém, transgredir os seus princípios inflexíveis. O verdadeiro sentido católico estava gravado na sua alma; a sua atitude respeitosa diante do Santo Padre e dos Bispos, e mesmo a sua obediência à Igreja, era inigualável”.


Leão XIII concedeu ao Conde Droste a “Grã Cruz da Ordem Pio”.

Pio X concedeu-lhe, por ocasião das suas Bodas de Ouro, a “Grã Cruz da ordem de S. Gregório” e nomeou-o, quando fez 80 anos de idade, “Cavaleiro da Ordem da Espora d’Ouro”.

Na carta manuscrita, do Santo Padre Pio X, podemos ler:

Para dar uma recompensa particular aos defensores mais corajosos, da Igreja de Deus, pela sua fiel dedicação, fizemos ressurgir, em 1905, a “Ordem Cavaleiresca”, muito antiga e célebre da “Espora d’Ouro” e restituir-lhe o seu primitivo esplendor.

Sabemos que tu mereces, por justiça, ser contado no número destes homens, porque te destinguiste nestes empregos de honra, passaste tão longa vida a exercer boas obras.

Como nosso Camareiro secreto, com espada e manto, te inscrevi, por causa dos teus grandes méritos, entre os cavaleiros da Grã Cruz da Ordem Pio e Ordem de S. Gregório. Tu coroaste estes empregos de honra, pelas tuas virtudes cristãs, tomaste sobre ti grandes trabalhos e problemas durante numerosos anos para aumentar a glória dos católicos...

Sabemos também, que proclamaste sempre e em toda a ocasião a tua veneração sincera e submissão ao Papa romano e á cadeira de Pedro, de uma forma elequente”.


O traço essencial da vida do Conde Droste era, em paralelo com o seu amor pela Igreja, a sua profunda piedade.

Quem o viu rezar, jamais se esquece de como ele se mantinha de joelhos, imóvel, todo absorto em Deus, a maior parte das vezes com os olhos fechados, lançando de quando em vez um olhar para o altar. Olhá-lo convidava á oração.

Desde a infância, até à idade avançada, a missa quotidiana e a oração da manhã não falhavam.

Sempre se empenhou na recepção dos Sacramentos. A Comunhão diária tornou-se uma regra de vida, antes mesmo que S. Pio X a tivesse permitido e até recomendado aos fieis.

Muito depois da idade prescrita, continuou a jejuar. Quando nos últimos anos, o médico lho proibiu, então absteve-se de fumar naqueles dias, o que constituiu uma grande renúncia.

Durante os seus melhores anos, na sexta-feira santa, não tomava nenhum alimento antes das 15 horas.

É pouco provável que tivesse passado um ano sem fazer os exercícios espirituais.

Em 1918 anotava:

“Suportar tudo de todos, e nunca fazer suportar nada a ninguém.

Todas as noites, contrição perfeita”.

Durante o retiro de 1919, este ancião de 87 anos anotava a 20 de Agosto, precisamente quatro anos antes da sua morte:

“Rezar com O Salvador, trabalhar com Ele, sofrer com Ele e depois morrer bem”.

Com efeito uma prolongada doença, repleta dos mais cruciantes sofrimentos, devia abrir-lhe as portas da sua feliz eternidade.

Faleceu com 92 anos, a 20 de Agosto de 1923.

O próprio Papa Pio XI celebrou uma Eucaristia pelo repouso eterno deste católico exemplar.





Condessa Helena von Galen


Condessa Helena von Galen

A Condessa Helena von Galen é oriunda duma linha Vestefaliana muito antiga, a qual dera à fundação de Münster, depois do fim da guerra dos 30 anos, um protector poderoso contra os invasores da holanda Protestante e um renovador infatigável da vida eclesiástica, muito decaída durante a guerra, na pessoa do principe Bispo Cristovão-Bernardo.

O chefe da família era herdeiro, de direito, do cargo “Chambre des Domaines” (=Erb kämmerers), na côrte do Principe Bispo.

Helena nasceu a 18 de Dezembro de 1837. Foi a segunda filha do Erb kämmerers Conde Matias Galen e da Baronesa Ana de Ketteler, irmã do Bispo Guilherme Emanuel de Matnz. Seu tio Fernando de Galen era embaixador Prussiano em Bruxelas, mas foi demitido das suas funções, por ter recusado notificar, no sentido dos Prussianos, ao Governo Belga, a detenção do Arcebispo Clemente Augusto. Foi mais tarde reabilitado pelo rei Frederico Guilherme IV e foi embaixador em Madrid.

Enquanto duas irmãs do Conde Droste foram religiosas, a condessa Helena podia chamar a três dos seus irmãos de sacerdotes: Frederico, cura de Lensbeck; Max Gereon, futuro Bispo Auxiliar de Münster; Bernardo, Decano de Dulmen.

As duas famílias eram bem do mesmo estilo, especialmente no que respeita à religião.

Para melhor compreensão dos acontecimentos e das cartas, as indicações seguintes poderão ser úteis.


A Condessa Helena, além dos seus três irmãos sacerdotes, tinha mais sete irmãos e irmãs vivas:

- Maria, casada com o Conde Augusto de See (Heltorf) e teve 15 filho, dos quais Mateus e Frederico foram sacerdotes; João, Beneditino; Maria e Francisca, Dominicanas.

- Fernando, casado com a Condessa Elisabeth de Spee, habitava Dinklage. Dos seus 13 filhos, as filhas mais velhas, Ana e Francisca, foram religiosas nas Irmãs do Sagrado Coração; Guilherme Beneditino; Clemente Augusto, Bispo de Münster; Frederico Augusto, Inês e Francisco casaram; Paula, ficou solteira; quatro filhos morreram antes da maioridade.

- Wilderich, casou com a Baronesa Antónia de Weichs. Dos seus 9 filhos, três foram beneditinos.

- Paulo, casou com a Baronesa Amália de Hornstein. Tiveram 4 filhos e viveram em Baumkirchen.

- Clemente

- Clementina

- Hubert casou com a condessa Teresa de Bocholty - Asseburg. Tiveram 5 filhos e estabeleceram-se em Goldegg.


Helena cresceu entre os seus dez irmãos e irmãs. Era uma menina viva, graciosa e alegre.

Segundo o que ela mesma nos diz, tinha nessa altura uma certa tendência para a vida fácil e mundana... (Talvez uma auto crítica pouco favorável).

Para concluir a sua educação e formação, passou um ano no Pensionato das Religiosas do Sagrado Coração em Blumenthal. Aí se desenvolveu nela a aspiração sincera à virtude e a grande piedade que a distinguiram toda a sua vida. Não admira que, sob as impressões profundas da vida do convento, ela tenha pensado na Vida Religiosa.

Para a escolha da sua vocação, pediu conselho a uma religiosa com quem tinha maior intimidade. Esta, talvez pelo decorrer da conversa em que a jovem pronunciou as palavras seguintes: “Pensai que felicidade para uma mãe poder dar á igreja uma filha como Santa Teresa!”, reconheceu, ou intuíu, que ela estava destinada a servir a Deus no mundo e a educar cristãmente os filhos. Muitas vezes a mãe da Ir. Maria do Divino Coração pensou nestas memoráveis palavras, com reconhecimento aliás, a Nosso Senhor.

Ela submeteu também o problema da sua vocação a um Padre Jesuita, por ocasião de um retiro. A resposta foi que nada levava a reconhecer, com clareza, o chamamento para a vida religiosa, mas acrescentou: “Vós tereis muito a sofrer no mundo e podereis santificar-vos tanto aí, como se estivésseis no convento”. Estas palavras vieram a concretizar-se de forma impressionante.


O pensamento da Vida religiosa foi posto de parte, mas é admirável ver como a Condessa Helena se impôs um regulamento de vida, na casa paterna:

- Levantar às 05,30 h

- Oração das 06,15 até às 07 h.

- Santa Missa 07 h.

- Terço 12 h.

- Estudo do Rodrigues das 18,30 às 19 h.

- Visita ao Santíssimo às 20 h.

- Oração da noite às 22 h.

- Preparação da oração do dia seguinte.

No primeiro de Abril de 1858 tiveram lugar os esponsais, em Münster, no palácio de Galen. Era Quinta-feira Santa. Muito cedo, o Conde Droste e seu futuro cunhado, o Conde Fernando de Galen, fizeram uma peregrinação a Telgte. A primeira viagem em comum, dos noivos, foi uma Via Sacra através das ruas de Münster, símbolo do percurso que eles deviam percorrer, juntos, quase 60 anos e que foi efectivamente, muitas vezes, uma Via Sacra.

A 5 de Agosto de 1858, na festa de Nossa Senhora das Neves, teve lugar o seu casamento na Capela de Assen, da casa paterna da noiva.

Um Abade Beneditino, que venerava muito o Coração de Jesus, aconselhou-lhes esta devoção desde o princípio da sua vida a dois.

Quase 60 anos mais tarde, o Conde Droste escreveu nas suas memórias, infelizmente inacabadas:

O dia seguinte, primeira sexta-feira do mês, Helena e eu, celebramos juntos, pela primeira vez, durante a missa, a 1ª sexta-feira do Coração de Jesus”, e continua: “a devoção ao Coração de Jesus que Helena tinha gravada tão profundamente no seu coração, desde a sua estadia em Blumenthal, tornou-se na nossa casa um meio de santificação para ela própria, para a sua família, toda a sua casa, e um meio muito mais vasto, tão longe quanto a sua influência se estendia. Sem nunca se afastar do seu objectivo e sem interrupção, ela continuou sempre até ao fim.

Já durante o tempo do nosso namoro, ela não somente me influenciou com esta devoção, como a introduziu ao mesmo tempo na capela e na casa de Darfeld, onde até então não tinha sido intensificada ou era mesmo quase ignorada.

Foi graças a ela também, que o pároco aceitou a devoção ao Coração de Jesus na sua Igreja Paroquial”.


Os dois esposos santificaram o 25º aniversário do seu casamento com uma consagração Solene ao Coração de Jesus, oração de amor fervoroso e generoso, composta pela própria Condessa Droste.

Como era pois esta jovem mulher, que alguns dias após o seu casamente, tomava posse da sua nova residência?

Antes de mais, ela era a companheira mais fiel do seu marido. Os interesses dele eram os seus, tomava parte neles de maneira muito viva e sem restrições. Nenhuma decisão importante era tomada sem que antes se consultassem mutuamente.

Com efeito, Helena estava particularmente dotada para se associar estreitamente às actividades múltiplas de seu marido. Tinha uma vasta cultura, espírito vivo e inteligência extraordinariamente lúcida.

Conversar com ela sobre história, arte, sociologia, filosofia ou mais particularmente religião, era um encanto incomparável e um enriquecimento de espírito.

As suas qualidades naturais eram favorecidas pela posição e os deveres do seu marido, quer dizer, que ela se envolvia com vivo interesse na vida pública, particularmente no âmbito da Igreja e da política. Tudo isto, até idade avançada.

Encontrava terreno sólido para todas as suas opiniões enfrentando todas as coisas, tanto da sua vida privada como da vida pública, sob o ponto de vista sobrenatural segundo o qual ela emitia um juízo.

Vivia inteiramente de fé, e a esta luz, dominava a força violenta da sua vontade e do seu temperamento. Exigente com ela mesma, sobretudo quando se tratava de cumprir uma obrigação, esperava o mesmo dos outros. Inimiga de toda a moleza e cheia dos mais sublimes ideais, desejava vê-los realizados tanto na vida pública como na sua vida privada.

Se ela tinha muitas exigências, tinha-as primeiramente consigo mesma de maneira exemplar.

De tudo isto se depreende que os seus precedentes de educação eram muito enérgicos.

Era capaz, ao repreender uma criança, de lhe dizer: “O Reino de Deus sofre violência”!

Esta maneira de agir impulsiva, e oposta a toda a compreensão da fraqueza humana, podia assustar por um momento e criar distâncias, mas depois a nobreza do seu coração aparecia com toda a sua bondade, à qual se ficava imediatamente presa.


Perfeita dona de casa, dirigia tudo e estava atenta até ao pormenor, na execução das suas ordens.

Sentindo-se responsável pelo bem espiritual de cada empregado da casa, velava muito particularmente, com cuidado quase maternal, pelas jovens.

Disponível a cada momento para os pobres e necessitados, tinha uma mão liberal e sabia encontrar palavras de consolação para cada um.

Esta mulher rara, possuía um coração grande e nobre, um coração duma sensibilidade profunda, o que lhe causava sofrimentos intensos e duradoiros. Este coração dado generosamente e sem restrições a seu marido e a seus filhos, abraçava ao mesmo tempo com piedade profunda e amor entusiasta o seu Deus e a santa Igreja.


O ser mais profundo, da mãe da Ir. Maria do Divino Coração exprime-se melhor através das suas próprias notas, por ocasião de uma peregrinação a Roma, em 1867:

“Pádua, 6 de Junho

Eu tinha o coração muito abrasado junto do túmulo do nosso Patrono (Santo António é o Padroeiro da capela do Castelo de Darfeld).

Recomendei-lhe particularmente os nossos queridos filhos, que têm todos o seu nome e penso ter pedido muito ao Senhor de nos dar ao menos um sacerdote e uma religiosa - ‘minha antiga e eterna oração’ “.

“ 7 de Junho, primeira sexta-feira do mês, deixamos muito cedo Ancono com destino a Loreto - neste momento já estou em Roma ... - De Loreto a Roma, da pobre casa de Nazaré à magnífica Basílica de S. Pedro, que impressão indescritível.

A Vida de Cristo e da Sua Igreja apresentam-se simultaneamente ao meu espírito.

Como se sente felicidade em ser filha da santa Igreja, apetece-nos rejubilar em transportes de alegria!

Que emoção ao beijar o pé de S. Pedro e encostar a minha cabeça aos seus pés em sinal de obediência à Igreja! As palavras: ‘Tu és Pedro’ não se encontram unicamente escritas na cúpula, mas cada pedra as anuncia e ressoam no mais profundo do coração de cada pessoa.

A Basílica de S. Pedro na sua imponente grandeza e admirável magnificência, é símbolo da verdadeira Igreja de Cristo que sobreviverá a todas as tempestades e que deve acolher todos os povos e nações até ao fim dos tempos. Aleluia! Aleluia!

Em Loreto, não rezei, antes me entreguei às impressões que Deus provocou em mim e eram coisas - na realidade a mesma coisa - o que surgiu como desejo vivo e ardente na minha alma, escrevi para me lembrar muitas vezes - eu dizia a Nosso Senhor com toda a minha alma:

- Nada a meias, mas tudo.

- Nunca alguma coisa, mas tudo.

E à mãe de Deus dizia:

- Como vós eu quero dizer FIAT

- Com os vossos sentimentos eu quero dizer FIAT.

- Ó mãe de Deus muito amada, nunca me deixeis esquecer estes propósitos, sobretudo nos momentos difíceis da minha vida, ou antes, fortalecei-me.


A 29 de Junho, os peregrinos participaram na missa solene do Papa por altura do 18º centenário do martírio de S. Pedro.

“O que temos visto e sentido, não se pode ver ou sentir senão em Roma. Isto é magnífico e indizível! Também me pergunto a cada momento se estou realmente ainda na terra ou já na antecâmara do Céu?!

A Basílica era um mar de luz e o esplendor dar cerimónias não se pode descrever!

O Santo Padre rodeado por 42 Cardeais e por 470 Bispos de todos os países do mundo reflectia na verdade a unidade da Igreja.

Quando, ao Ofertório, as três “Scolas Cantorum” colocadas em diferentes locais da basílica, uma composta de jovens, entoou da cúpula, um cântico magnifico alternado “ Tu és Pedro” - tive a impressão de ouvir os anjos do céu, como se eu tivesse sido transportada da Igreja militante à Igreja triunfante.”


E como conclusão:

“O martírio de S. Pedro, é para mim, a imagem mais demonstrativa do cumprimento da vida interior. Tive a impressão de me ouvir dizer:

- Tu não deves só deixar-te crucificar, mas da cabeça aos pés, isto quer dizer na humildade mais profunda;

- Tu deves vir a ser inteiramente semelhante ao teu Salvador crucificado “.


Em 1872 - 45 anos antes do seu falecimento, escrevia uma carta de adeus a seus filhos:

“ ... Se Nosso Senhor desse a um de vós a graça duma vocação religiosa ou sacerdotal, como me alegraria no Céu.

Acrescento ainda uma palavra de Santa Joana de Chantal, a qual é importante para todos vós, mas particularmente às minhas queridas filhas:

‘A perfeição não consiste nos sentimentos mas num conhecimento completo de si mesma e no firme propósito de pertencer totalmente ao Senhor, quer dizer, perseverança generosa na mortificação e na renúncia, privando-se de tudo sem reserva’.”


Esta mãe teria o pressentimento de que três de suas filhas escolheriam o estado da vida religiosa, e que Maria, então de nove anos de idade, corresponderia heroicamente às suas exortações? A carta termina:

“Agarrai-vos à vossa fé santa, romana e católica onde se encontra a salvação. Amai a Igreja, esposa de Cristo, como vossa mãe e em todas as tentações, dúvidas e outros perigos, que a vossa estrada segura seja; ‘Ubi Petrus, ibi Ecclesia’ “.

Com que afã esta mãe exemplar trabalhou na sua própria santificação, até idade avançada, sabem-no só aquele número reduzido, aos quais ela abria a riqueza da sua vida semanalmente.

Entre os meios de santificação, sem falar da Confissão semanal e da Comunhão quotidiana, coloca-se em primeiro lugar a veneração ao Coração de Jesus que praticava particularmente pela imitação das Suas virtudes.


Em 1913, a conselho do seu director, entra na associação das almas vítimas.

Escrevia ao seu director:

“Eu não poderia duvidar que a Irmã Maria do Divino Coração quisesse ajudar a sua velha mãe por vosso intermédio, a fim de santificar os seus últimos momentos, de maneira particular pelo abandono total ao Sagrado Coração de Jesus.

Sinto que devo fazer-me santa, que Deus prolongou a minha vida para isso mesmo, e me tem dado tantas graças para que eu possa sê-lo de facto.

Que no meu interior mais profundo, onde as impressões são verdadeiras e duradoiras, eu o queira também.”


Os últimos anos da sua vida foram marcados por doenças que se multiplicaram devido à fraqueza cardíaca. Apesar disso, esperava-se que este casal patriarcal pudesse celebrar as bodas de diamante no Castelo de Darfeld. Deus dispôs o acontecimento de maneira diferente. Com efeito, dez meses antes, a 22 de Outubro de 1917 a Irmã Maria do Divino Coração vinha buscar a sua querida mãe para a conduzir à feliz eternidade.

Depois da morte da Irmã Maria do Divino Coração, a Irmã assistente encontrava sob a almofada, certo número de folhas, contendo mensagens de Nosso Senhor. Uma delas era a saguinte:

Trago sempre sob o Meu olhar os teus pais - preparo-lhes muito sofrimento -uma vida longa.”

Verdadeiramente, como sua santa padroeira, Santa Helena a Condessa Droste encontrava numa longa vida, a cruz...


Em 28 de Novembro de 1941, o Decreto da Congregação dos Ritos, promulgando a abertura do processo Apostólico para a beatificação da Irmã Maria do Divino Coração, lembra a vida de seus pais nos seguintes termos:

“A Sagrada Escritura nos ensina, diz Santo Ambrósio, a não louvar somente a conduta daqueles que são dignos de louvores, mas também a conduta dos pais, para que a pureza sem mancha, daqueles que queremos louvar, resplandeça como herança transmitida.”


Se actualmente consideramos a vida da Serva de Deus, Maria do Divino Coração, as eminentes virtudes que ornavam os seus pais devem-nos encher da mais profunda admiração, porque eles tinham a peito não somente a observância escrupulosa dos mandamentos e defender tenazmente os direitos da Igreja católica, como também de se submeterem em todas as coisas, com alegria espiritual e sem reserva à Vontade de Deus.

Com que força heroica, conseguiram fazer calar a dor mais amarga, à morte de seus filhos!

Deste modo, eles são verdadeiramente dignos de serem citados como exemplos às gerações futuras!

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