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  • Alexandrina Dutra

A IRMÃ MARIA PARTE PARA O CÉU

Atualizado: 6 de Jun de 2019


8 de Junho de 1899 - 8 de Junho de 2019

Celebração dos 120 da morte da Beata Maria


Pintura da famosa aparição do Sagrado Coração de Jesus à Irmã Maria na qual Ele lhe prometeu que faria resplandecer uma luz nova sobre o Mundo inteiro e lhe disse: "Ao brilho desta luz, Povos e Nações serão reconfortados pelo seu calor."
Visão da Irmã Maria do Divino Coração

Todos nos devemos alegrar com a grande comemoração dos 120 anos da morte da Beata Maria do Divino Coração. Cento e vinte anos é uma data, um jubileu cheio de beleza e de conteúdo. Sabemos bem como a Irmã Maria pediu muito tempo, talvez durante anos, a Nosso Senhor que a viesse buscar numa Primeira-Sexta-Feira ou na Solenidade do Coração de Jesus. E o Esposo divino fez-lhe a vontade. Morre nas primeiras vésperas da Solenidade do Coração de Jesus, que nesse ano foi a 9 de Junho. Dois dias depois, o Papa Leão XIII, consagrou o Género Humano ao Sagrado Coração de Jesus, no Domingo dia 11, unido a toda a Igreja e em comunhão com todos os bispos do mundo. O desejo da Irmã Maria foi acolhido pelo Divino Coração e parte para junto de Jesus celebrar no dia seguinte a Solenidade que ela tanto amava e vivia sempre com tanto entusiasmo, amor e fervor: Solenidade do Coração de Jesus.


Juntemo-nos pois a toda a Igreja, à Congregação do Bom Pastor, à Diocese do Porto onde faleceu e está sepultada. Dilatemos o nosso coração para que nele caiba o mundo inteiro e através de nós o mundo seja entregue ao Coração de Cristo.

No meio de tantas guerras, ódios, crimes, mortes, no meio de tantos abortos, violência, roubos, promiscuidade moral, injustiças, o mundo parece estar doente, tem a alma e o coração doente. Há desertos sem pão, sem amor, sem fé, sem Deus, semeados de males e de pecados. A Irmã Maria amava Jesus e amava o mundo, oferecendo-se por ele para alcançar conversão de muitos, paz e alegria para muitos, fidelidade a Jesus para todos os baptizados, numa ânsia de ser apóstola do Coração de Cristo, convencida que era o caminho para a verdade, o amor, a justiça, a paz, a santidade. A Irmã Maria percebeu que dessa chaga aberta continuavam a correr torrentes de misericórdia e de graça. Daí a sua intensa confiança, a sua entrega, o seu abandono, a sua paixão pelo Divino Coração. Não será isto mesmo que nos falta a nós, às paróquias, aos sacerdotes, às pessoas e comunidades de consagrados, às famílias de hoje, aos batizados em geral? Não temos vindo a arrefecer no amor ao Divino Coração, a deixar a devoção de lado, a afastar-nos dessa fornalha ardente de amor, a deixar a prática das Primeiras Sextas-Feiras? A adoração reparadora? Parece que a palavra de S. Francisco de Assis retoma o seu valor e a sua eloquência: “O Amor não é amado”. Precisamos com a Beata Maria aprender a amar o Amor, simbolizado no Coração de Jesus.


A doença ia-se agravando. A 24 de Maio cerca de duas semanas antes da morte, teve uma grande crise e ficou quase cega e surda, com o pescoço paralisado. Era uma vítima imolada por amor e com amor. Mas o Senhor quis que ela guardasse o seu conhecimento intacto, perfeito, podendo racionar e falar. Contudo mesmo nestas semanas não lhe faltaram sofrimentos, pois soube por uma carta escrita por seus pais que eles tinham conhecimento das revelações do Coração de Jesus e do pedido que ela, em nome e por ordem de Jesus, tinha escrito ao Papa Leão XIII. Desabafou a seu confessou que sentiu “muita vergonha” que seus segredos fossem conhecidos por terceiras pessoas. Mais uma humilhação para a Apóstola do Coração humilde de Jesus. Mas o Senhor a quis consolar pois o próprio Papa enviou através do Núncio em Portugal, dois exemplares da sua última encíclica “Annum sacrum” promulgada a 25 de Maio. Mas a Irmã Maria, apesar da gravidade do seu estado, fez tudo para que a consagração que o Papa ia fazer, se fizesse no Porto com a maior solenidade possível. O Vigário Capitular que governava a diocese veio visitá-la e ela confirma-lhe que o Senhor quer que no Porto a Consagração e a Solenidade sejam mesmo muito festivas. Disse-lhe mesmo: «não receie exagerar porque mais tarde se verão os frutos».


"Durante a noite de 7 para 8, sobreveio a última crise. O Dr. Teotónio acorreu e administrou-lhe o S. Viático pela última vez. Mas pela manhã, ao contrário dos outros dias em que parecia fatigada, a Irmã Maria estava alegre e procurava com a sua alegria consolar as Irmãs. Durante toda a manhã, interessou-se pelos preparativos da festa do S. Coração e da Consagração. Quis que lhe levassem ao quarto várias imagens do Sagrado Coração, escolheu a mais bela, e indicou em que sítio do jardim havia de ser colocada na paragem da procissão". Devido ao seu estado tão grave todos se iam apercebendo que a passagem para o Céu estava iminente. As alunas internas ofereceram-lhe um belíssimo estandarte bordado por elas com a efígie do Coração de Jesus. A doente ainda conseguiu transmitir às Irmãs que trataram dela, os seus agradecimentos e a certeza que não as esqueceria no tempo e na eternidade. Depois “aproximaram-se dela as duas religiosas que mais tinham gozado da sua afetuosa confiança: a Irmã Assistente, Maria da Anunciação, e a Mestra das Educandas, Irmã Maria de Jesus (que depois lhe sucedeu como superiora); ajoelhadas junto dela, pediam-lhe que as abençoasse. A moribunda estendeu as mãos, mas estas tremiam tanto, que as duas Irmãs se puseram a chorar. Ela, por sua vez, sorrindo docemente, procurava consolá-las: «Não chorem; tremem-me as mãos, mas é só uma fraqueza passageira». Falou-lhes então do Sagrado Coração e do amor que Lhe consagrava como que a exortá-las pela última vez a compartilhar com ela o fogo que a abrasava. Pelo meio-dia começou a piorar.

“Depois, pelas 14 horas, voltou o Dr. Teotónio, que a ouviu de confissão pela última vez e lhe deu a absolvição dos moribundos. A Irmã Maria quis corresponder a todas as atenções do seu director espiritual e confessor, dando-lhe um dos dois exemplares da encíclica, mandados pelo Papa. Com o crucifixo da sua profissão religiosa entre as mãos, o olhar ficou-lhe fixo num ponto, enquanto os lábios deixaram fugir um quase impercetível: «Ah!!!» e o rosto se lhe tornou radiante. Dos olhos rolaram-lhe duas lágrimas e a alma deixou o martirizado corpo para voar aos braços do Esposo. Eram 3 horas da tarde de quinta-feira 8 de Junho de 1899, primeiras Vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus”. Morreu, partiu para o Céu, aquela que sempre desejou viver unida a Jesus, sofrer com Ele como vítima de amor, sendo Apóstola do seu Coração, dando-O a conhecer e fazendo-O ser conhecido e amado. É esta a missão de cada sacerdote, de cada consagrado, de cada baptizado, de cada família cristã. Apaixonados por Jesus e pelo seu Coração. Vivendo d’Ele e para Ele, dando testemunho do seu amor louco e apaixonado. A Beata Maria do Divino Coração nos deixa um exemplo admirável. Celebrar os 120 anos da sua morte é convite a imitá-la no amor a Jesus, na devoção ao seu Coração, no desejo de reparar pecados e de ajudar a converter pecadores.

Dário Pedroso s.j.


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